Hoje gostaria de falar sobre um filme brasileiro chamado Narradores de Javé. Fiquei simplesmente encantada com a forma descontraída que foi abordado a importância da preservação e manutenção do patrimônio como forma de assegurar a memória e ou história de um povo.
O filme retrata a história de um povoado chamado Vale do Javé que corre o risco de ser inundado devido à construção de uma barragem. Seus habitantes diante a perda eminente se vem forçados a encontrar uma solução de modo a garantir a sobrevida de sua terra. Em uma reunião fica decidido que seria necessário encontrar algo que fosse importante no local, qualquer tipo de bem que merecesse ser preservado e assim tornar-se patrimônio. Em torno dessa busca, a população que em sua maioria é analfabeta, decidi reconstruir a memória da fundação do Vale, utilizando para tanto, a narrativa dos moradores. Acreditavam que se a estória torna-se história mediante a passagem dos contos falados para a linguagem escrita, o povoado seria poupado.
A possibilidade de contribuição na escrita da história de Javé deixa o povoado extremamente animado, e todos contam sua versão, sempre ressaltando as características de valentia e povo guerreiro, independente do interlocutor. O responsável por anotar todas as estórias é Antonio Pia, um dos poucos letrados. Mas este após ouvir as diversas estórias, decide que nada vai escrever, por não acreditar na possibilidade de êxito frente a inundação. O filme termina com o olhar entristecido e passivo dos moradores, que ficaram até o momento da água cobrir completamente as construções. Chama atenção, que fora os objetos pessoais de cada um, o único bem coletivo a ser salvo foi o sino da igreja, sendo esse o símbolo de um novo recomeço.
Esse longa é um bom exemplo da reação das pessoas frente a momentos de ruptura ou transformação na malha urbana. Somente quando sentimos que podemos perder algo valioso é que nos mobilizamos para preservá-lo. Mas porque isso acontece? Os bens materiais que se perpetuam na sociedade fazem parte da herança cultural, que é passada de uma geração a outra. Graças a essa capacidade de transmissão de conhecimento que a sociedade esta em constante evolução. Além disso, ao olharmos esses signos nos remetemos à época em que foram construídos, eles estão impregnados de lembranças. Esses bens materiais nos auxiliam a reconstruir a história, a evolução daquela sociedade especifica. Por isso são sempre datados, pertencem a um lugar e a um tempo especifico. Preservá-los é uma forma de garantir a sobrevida dessas lembranças, dessa memória. Através da preservação desses bens materiais (ou mesmo imateriais) há a sobrevida do grupo, de suas características e tradições. A manutenção desses bens, tornamos nossa história visível, estabelecemos um elo com o passado.
Da década de 70 para cá a questão do patrimônio e sua preservação tem se tornado cada vez mais importante.Nesses últimos 30 anos muito tem se discutido, houveram avanços na legislação e na forma de preservação e manutenção desses bens. Mas ainda há muito o que fazer no que se refere a educação patrimonial. É necessário que haja uma conscientização da população acerca da importância da preservação, afinal "só se preserva o que se ama, e só se ama o que se conhece".
O Patrimônio Arquitetônico representa uma produção simbólica e material, carregada de diferentes valores e capaz de expressar as experiências sociais de uma sociedade.O Patrimônio cultural deve então ser tratado de forma integrada com as necessidades e demandas das cidades, também deve ser discutido por toda a sociedade, que dessa forma se apropriará efetivamente do planejamento proposto e também aprenderá a valorizar seus bens culturais.
ResponderExcluirParabéns pelo seu texto,ficou muito bom, bem argumentado.
Olá! sou novo por aqui, vi seu blog numa das comunidades de Patrmônio do orkut. E com a curiosidade de um historiador e arqueólogo não poude deixar de olhar! O filme é muito bom, dá para tirar boas reflexões, e o que é mais legal é que é patrocinado por empresas (não me recordo qual ou quais) que desenvolvem o país e se preocupam com nosso patrimônio. Bom se todas fossem assim. Ao contrário disso temso que ler algumas atrocidades como essa http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/bocalidade-arqueologica-ou-a-arqueologia-politico-partidario-eleitoral/ ... Acabei de ler esse texto, e ao contrário do que está escrito penso que se tem espaço para o moderno e nosso patrimônio, desde que se tenha vontade!
ResponderExcluirParabéns pela iniciativa do blog!
abraços, Ricardo Marion...
Muitooo Interessante seu blog
ResponderExcluirParabéns
Vou te dar uma dica.
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Um forte abraço, acompanhado de Um Bjão
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Perdão por tudo.
=..(
Oi, li e gostei demais do seu texto,você poderia então me ajudar a responder uma pergunta? Como a química ajudaria a comprovar que um lugar é patrimônio histórico? Se souber, me ajudaria muito mande a resposta por favor.
ResponderExcluirUm abraço.
Li e assistir o filme ele é muito bom, sua linguagem é bem informal e realista espero assistir outros filmeees bom assim . Pena que o fim foi infeliz .
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